Por Paulo Alvim
Sebrae Nacional
Apesar de pairar um certo clima de desanimo e frustração após a reunião realizada em Copenhague, devemos pensar nas oportunidades e desafios gerados após este encontro.
Nunca se teve uma mobilização tão relevante para um tema, seja por parte dos governos, seja pela sociedade. E a mídia abordou de forma intensiva o impacto das mudanças climáticas e com certeza esta década vai começar de forma diferente. Podemos mesmo afirmar que o ciclo do desenvolvimento sustentável se iniciará de fato pós COP 15 e assim será a marca desta década que se inicia.
E o que isto tem a ver com agropecuária de pequeno porte?
Com certeza um dos atores chaves no processo de mudança e que irá marcar por fazer acontecer serão os pequenos produtores rurais. Seja por mudar, como já vem fazendo, suas práticas agrícolas, seja por se transformarem nos verdadeiros defensores do meio ambiente, pois dele dependem diretamente, seja pelo convívio diário, seja por tirarem da natureza seu sustento e renda, e que já percebeu que se não mudar, vai tirar cada vez menos.
O resgate de práticas de agroecologia e agroflorestas, que a agropecuária de pequeno porte já vem praticando, aponta um novo caminho que além de trabalhar na redução do custo de produção por hectare utilizado, seja no plantio ou na criação, contribui na recuperação das áreas utilizadas na atividade agropecuária. Também ao atuar na integração da produção de alimento – energia – fibras, contribui na construção de um novo padrão de produção que vem em resposta concreta a nova onda de consumo, centrada no consumo consciente e menos agressivo ao meio ambiente. Ou seja, a prática efetiva do desenvolvimento sustentável.
Temos então que se inicia a onda da agropecuária de pequeno porte centrada na produção sustentável e que aponta melhores dias para o desenvolvimento rural, com resultados de qualidade de vida no campo e melhor equidade e justiça social.
E por que haverá oportunidades para o Brasil? Ninguém pode negar que esta será a década do Brasil, se não fizermos bobagem e perdermos os ventos favoráveis que estão soprando.
Além de estarmos sendo olhados com bons olhos do ponto de vista internacional, aos poucos estamos conseguindo superar nossas deficiências crônicas (estabilidade econômica, déficit social, desigualdade, entre outros) e temos a oportunidade de começar a virada, onde o foco da produção sustentável, com certeza puxada pela agropecuária de pequeno porte, pode ser a diferença.
Com a vantagem de termos algumas vitrines já definidas para esta década, onde poderemos ser vistos do ponto de vista internacional como um dos operadores de um novo padrão de produção e consumo, sustentável e mais justo.
Um modelo que usa a terra em favor do homem e para o homem.
E a vitrine é o conjunto de eventos planetários que ocorrerão no país já a partir de 2012, com a Rio + 20, que se seguirá em 2013 com a Copa das Confederações, Copa do Mundo em 2014 e Olimpíadas em 2016, e que fecha por enquanto com a Expo Mundial em São Paulo no final da década. Nunca tivemos esta concentração de eventos, onde a partir do mote da produção sustentável principalmente de alimentos e energia, o pais pode se firmar como um player deste novo ciclo de desenvolvimento do mundo, que requer além de liderança e idéias, atitude.
E é aí que entra a agropecuária de pequeno porte brasileira, pela sua capilaridade, diversidade e capacidade de superação e resposta.
É apostar e teremos bons resultados